Leite um alimento indispensável? Conheça outras fontes de cálcio

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O leite e seus derivados durante muito tempo foram considerados alimentos indispensáveis para a saúde do homem, hoje os escândalos de adulteração colocam em cheque a afirmação do passado. Neste texto pretendemos esclarecer se realmente o leite é indispensável, quais são os alimentos fontes de cálcio, os efeitos colaterais do consumo do leite a curto e em longo prazo e os efeitos do consumo do leite adulterado.

Leite indispensável

Uma das primeiras atividades que um recém-nascido desempenha é buscar o peito da mãe atrás de nutrição, nos primeiros dias a mãe produz uma substância que recebe o nome de colostro. Esta substância tem o papel de conferir imunidade ao recém-nascido já que ele não tem nenhuma. No terceiro dia a mãe já produz o leite materno que vai ser o alimento exclusivo até os seis meses de vida, salvo algumas exceções.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) não podemos substituir o leite materno pelo leite de vaca ou pelo sucedâneo do leite materno (sucedâneo é um leite artificial utilizado para substituir o leite materno quando necessário, ele não tem a mesma composição, mas é melhor do que o leite de vaca), na tabela 1 podemos ver estas diferenças.

O leite materno é de fácil digestão e melhor absorção do que os demais apresentando composição ideal para atender a necessidade da criança, não provocando efeitos colaterais promovendo o desenvolvimento adequado do recém-nascido. O leite materno deve ser o alimento exclusivo até os seis meses, após este período é preciso começar a introdução do alimento sólido, ao completar o primeiro ano de vida a criança deve receber a mesma alimentação dos pais, por isso vale um alerta, cuidado com o que você tem colocado na mesa. O leite materno pode ser oferecido até a criança completar dois anos de vida como um complemento.

Depois da retirada do leite materno, de maneira nenhuma deveria ser introduzido o consumo de leite de vaca e derivados. A Harvard School of Public Health quebrando o lobby da indústria de alimentos anunciou que o consumo de leite e derivados não é compatível com uma dieta saudável. As justificativas apresentadas estão relacionadas ao aumento do câncer de próstata e ovários.

Efeitos colaterais a curto prazo

Lembro-me quando criança minha avó indicando o leite para quem sofria de gastrite, essa informação é uma meia verdade. A gastrite geralmente está relacionada ao aumento do ácido clorídrico no estômago, no processo inicial de digestão o ácido se liga ao leite diminuindo os efeitos da acidez, mas no final da digestão estomacal o ácido volta a agredir a mucosa e ainda é produzido ácido lático, piorando os efeitos da gastrite.

A acidez gerada pelo consumo do leite favorece o refluxo. O refluxo é a volta do ácido do estômago para o esôfago, chegando a atingir a laringe a faringe causando irritação e algumas vezes os brônquios, levando a pneumonia bronco-aspirativa. A agressão gerada nestas regiões não produtoras de muco pode causar lesão e se o caso não for tratado aumenta o risco para desenvolver câncer, principalmente de esôfago.

Depois dos quatro anos de idade a capacidade de digerir a lactose (açúcar do leite) cai sensivelmente promovendo em muitos que bebem leite diarreia, com a diarreia vem à perda de nutrientes e os microrganismos que compõem a flora intestinal se perdem. Sem a flora intestinal integra a consequência é uma maior produção de gases e baixa produção da vitamina K.

Outros que consomem leite sofrem terríveis problemas de constipação intestinal e produção de gases. Uma frequência baixa de evacuação promove o aumento da absorção intestinal favorecendo o ganho de peso. A produção de toxinas no intestino é grande, estas toxinas são absorvidas para a corrente sanguínea agindo no cérebro e interferindo no humor.

A proteína do leite aumenta a produção de histamina na corrente sanguínea gerando os processos alérgicos, o sistema respiratório é o mais afetado, mas alguns manifestam alergias cutâneas (pele). O aumento da histamina esta relacionado à maior concentração de cortisol no sangue. O cortisol é o hormônio do estresse, este promove muitos efeitos colaterais no organismo.

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Efeitos colaterais a longo prazo

O leite de vaca é rico em proteína devido à demanda do bezerro para promover crescimento. No Brasil o rebanho é composto basicamente por gados da raça Nelore, o bezerro desta raça nasce com 25 kg e no final do ano tem que pesar no mínimo 250 kg, um aumento de dez vezes o seu peso de nascimento, a criança nasce com 3 kg e no final de um ano deve estar pesando em torno de 10 kg, um aumento de três vezes. Este consumo de proteína elevado gera alguns problemas para o organismo.

Durante o processo de metabolização da proteína é liberado a parte ácida levando a uma redução de pH. Um meio ácido é o ambiente perfeito para desenvolvimento do câncer, o corpo na tentativa de conter está acidez usa o cálcio do leite para promover o tamponamento (manter o pH em 7,4 ), o cálcio deixa de ser utilizado para formação da massa óssea promovendo a osteoporose no futuro, essa informação já tem comprovação científica, mas devido ao lobby da indústria de alimentos, pouco é falado.

O cálcio não pode ficar circulando na corrente sanguínea, pois ele é um dos fatores de coagulação, o que poderia formar um trombo promovendo um derrame. O cálcio é eliminado pelos rins aumentando o risco de formar cálculo renal. Quando os rins estão sobrecarregados a via de excreção é o fígado e no futuro muitos podem sofrer com cálculo biliar, o queijo parece ser o maior promotor de cálculo biliar.

Depois de anos de consumo de laticínios e sobrecarga nos rins e fígado o corpo já cansado começa a depositar o cálcio nas articulações, o resultado final é a calcificação das articulações, dores e muitas vezes a deformação de dedos.

Segundo a Harvard School of Public Health a gordura saturada que se encontra nos laticínios e os produtos químicos que são utilizados durante a produção são os grandes vilões para a formação do câncer e outros problemas de saúde como o aumento do colesterol.

Alimentos fontes de cálcio

O leite é rico em cálcio, porém não pode ser considerado um alimento fonte devido aos motivos explicados acima. As fontes de cálcio precisam ser ricas em magnésio, a proporção é de 2 moléculas de cálcio para 1 de magnésio para potencializar a absorção. O alimento fonte não pode ser rico em proteína.

Encontramos nos vegetais alimentos com estas características, são eles:

• Vegetais verdes escuros (brócolis, espinafre, couve, rúcula, mostarda, agrião, escarola, etc)

• Leite de soja e outros alimentos enriquecidos

• Gergelim, aqui vale algumas considerações, o preto tem dez vezes mais cálcio que o leite de vaca, o branco integral sete vezes e meia e o branco descascado quatro vezes mais

• Semente de girassol com quatro vezes mais cálcio que o leite fecha a lista dos principais substitutos

Todos os alimentos fontes de cálcio também são ricos em ferro, vale a pena investir nestas fontes.

Leite adulterado

O caso do leite adulterado no Rio Grande do Sul gerou a discussão que levou este texto a ser escrito. No caso o leite foi adulterado com a adição de ureia rica em formol e água não tratada, segundo o Ministério da Agricultura o leite não faz mal na hora, os resultados serão observados a longo prazo. O leite adulterado foi encontrado em lotes de quatro empresas, Italac, Líder, Mumu, Latvida.

O formaldeído presente na ureia é o responsável pela toxicidade do leite. Esta substância é utilizada na conservação de cadáveres, gerando problemas gastrointestinais, a exposição frequente tem efeito cancerígeno. Segundo o Instituto Nacional de Câncer não existe níveis seguros de exposição ao formol, este tem forte associação ao desenvolvimento de câncer de nasofaringe e leucemia.

A ureia é utilizada para modificar o pH do leite, provavelmente este leite tinha alto grau de contaminação. Quando o leite chega ao laticínio é realizado um teste de verificação do pH, quanto menor o valor encontrado pior a qualidade, isso ocorre pelo número de microrganismo presente, durante a fermentação eles produzem ácidos. É permitido um número máximo de UFC (unidades formadoras de colônias), quando o leite tem muita UFC a ureia é adicionada para aumentar o pH na tentativa de mascarar a contaminação.

Esta deve ter sido a provável motivação para a adição da ureia. É uma triste realidade para muitos estar chegando ao final da leitura deste artigo, mas temos como obrigação conscientizar o nosso público leitor. Que estas informações lhe ajudem a fazer melhores escolhas levando saúde para suas mesas.

Por Ricardo Vargas
Nutricionista

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