Existe idade certa para afastar o bebê da mãe?

Renata_SeparacaoBebe

É muito relativo responder essa pergunta “se existe idade certa para iniciar o afastamento entre mãe e criança”. Sabe-se que os dois primeiros anos de vida da criança são fundamentais para o estabelecimento de vínculos fortes, saudáveis e seguros. O estabelecimento desse vínculo requer a presença constante dos cuidadores na vida da criança. Geralmente essa presença constante é representada pela mãe que se torna a figura focal do relacionamento, pois ela que costuma ser a fonte mais imediata e segura de conforto, segurança e abastecimento.

No entanto sabe-se que nem sempre é possível manter esse convívio tão intenso por “tanto” tempo, o que torna a resposta da “idade certa” uma resposta impossível. Muitas outras variáveis, que não apenas a idade, precisam ser levadas em consideração como: se a criança ainda se alimenta no seio materno, qual a real necessidade deste afastamento, se a mãe tem uma boa rede social de apoio, entre outras…

O mamar no peito, por exemplo, independente da idade da criança, pode ser um grande empecilho para o afastamento materno já q este momento não estará apenas associado a alimentação física da criança, como também a alimentação afetiva e esta tarefa não poderá ser substituída por nenhuma outra pessoa. Não há uma regra, penso que cada família sabe de suas limitações e possibilidades, mas é importante avaliar a relação que a criança tem com o “peito” antes de pensar em um afastamento… Muitas vezes é mais indicado esperar ou promover o desmame para depois ter a tal “férias materna”. Claro que isso também depende do quanto tempo a mãe deseja se afastar. Se for por apenas algumas horas e a criança já é grande e tem intervalos longos entre uma mamada e outra, esse pequeno afastamento certamente não causará grande contratempos.

Quanto ao real motivo do afastamento, sabe-se que muitas mulheres hoje em dia estão inseridas no mercado de trabalho formal, compõem renda dentro de casa e não podem nem pensar em deixar o emprego para estarem mais tempo com os filhos. Nesses casos vemos mães afastarem-se de seus bebês muito precocemente já precisam retornar ao trabalho. Embora esse afastamento precoce não seja muito indicado, se ele é realmente necessário é importante que a mãe o faça com o menor sentimento de culpa possível. Voltar ao trabalho carregando amargura e culpa só tende a prejudicar a relação da díade mãe x bebê. É importante que a mãe compreenda que aquilo é necessário, dedique-se ao filho com tempo de qualidade quando possível e aceite sua condição… o contrario disso tornará o afastamento da mãe bastante sofrido e traumático para o bebê. A mesma regra pode ser usada para qualquer outra necessidade de afastamento… Se a mãe deseja afastar-se por um tempo (seja dias ou horas), não importa a idade do filho, por estar sentindo-se esgotada, cansada, desorganizada emocionalmente e avalia que o afastamento a trará novamente para o eixo, que o faça sem culpa. Mais vale um uma mãe que se afastou um pouco para se reorganizar emocionalmente e que poderá dar ao filho toda continência que ele necessita, do que uma que nunca se afasta porém vive estressada, ansiosa e perturbada passando ao filho somente emoções negativas.

Havendo o desejo ou necessidade de afastamento é fundamental que se tenha uma boa rede social de apoio. Deixar o filho com pessoas de confiança e que consigam exercer a maternagem adequada é fundamental para tornar qualquer separação da mãe o menos traumática possível. O exercício da maternagem pode ser exercido pelo pai, por uma avó, uma babá competente, funcionário de um berçário… enfim… O que o bebê precisa é de cuidados e afetos e isso pode ser oferecido por muitas pessoas que não apenas a mãe e isso também independe da idade da criança… um bebê recém nascido pode ser maternado muito bem por uma outra pessoa que não a mãe e uma criança de 4 anos talvez não seja maternada adequadamente por terceiros… então isso não despende da idade da criança e sim do meio social em que está inserida.

Há uma fórmula para dar início às ausências maternas?

  • Comece ausentando-se por algumas horas
  • Inicialmente se afaste, mas esteja em lugares próximos. Vá ao salão de cabelereiro do bairro, ao mercado, busque berçários próximos ao seu trabalho. Se for preciso ir para lugares distantes, tente viabilizar um cuidador que poderá ir com vocês e permanecer por perto. Isso deixará a mãe mais segura e menos culpada, consequentemente a criança também se sentirá mais segura e estável emocionalmente. Aos poucos a mãe vai percebendo que naturalmente poderá se ausentar cada vez por mais tempo.
  • Adapte a criança aos poucos. Mesmo que a criança tenha meses explique a ela que vai sair, mas volta. É importante que a criança vá compreendendo que a mãe vai, mas volta, que isso é normal. Assim ela ficará mais tranquila. Se o motivo do afastamento for o trabalho, tente passar para a criança uma visão positiva deste trabalho. Que ela entenda que você gosta de trabalhar e que isso fará bem a toda a família, evite transparecer que sua saída para o trabalho é um fardo para todos, pois isso passará para a criança forte sensação de pesar.
  • Se a criança reagir chorando é preciso que a mãe entenda que é normal que a criança se expresse pelo choro já que essa é umas principais formas dela expressar-se. A mãe deve conversar com calma e explicar a real necessidade do afastamento, sempre dizendo que ela estará segura com seus cuidadores e que a mãe vai voltar. Mas é importante ressaltar que quando a criança chora de mais, pode ser muito mais um problema da mãe que não está conseguindo se separar do filho com tranquilidade, do que da própria criança. A mãe deve ter uma postura segura, clara e objetiva. Se a mãe também ficar chorosa não ajudará muito.
  • Se a criança já for maiorzinha e a adaptação estiver muito difícil, pode-se utilizar de um objeto que “substitua” a presença física materna. Pode ser um bicho de pelúcia, uma roupa, uma foto…
  • Nunca saia escondido. Isso gera na criança instabilidade, insegurança e desconfiança.
  • Procure ter sempre o mesmo comportamento quando for se afastar para que a criança perceba o ambiente estável e seguro.
  • Não minta e não invente histórias.
  • Se a criança apresentar comportamentos muito inadequados procure ter paciência, calma e compreensão. Não faça chantagens emocionais, dizendo que a criança é “feia” ou que você “gosta menos dela” pelo comportamento apresentado, ou que “coisas ruins podem lhe acontecer”.
  • Não dê presentes para compensar a ausência, pois a criança pode fazer uma interpretação de que sempre que algo não sair como ela deseja merece ser recompensada. Quando voltar é muito melhor dedicar tempo brincando junto, fazendo alguma atividade junto do que compensar com bens materiais.
  • Se a criança ainda estiver amamentando, o leite pode ser retirado e armazenado para que o cuidador ofereça a ela. Coloque a criança no peito quando chegar.
  • Qualquer pessoa que passe por mudanças em sua rotina precisará de um tempo para se adaptar a nova situação. Com o bebê não é diferente. Por tanto pode acontecer que nos primeiros dias a criança apresente dificuldades para comer ou para dormir. Isso não é motivo de desespero, pois com a adaptação da nova rotina tudo volta a funcionar normalmente. Por isso as separações gradativas são mais indicadas.

A ajuda e participação do pai nesse processo é fundamental, principalmente se ele também tem uma relação de forte apego com o filho. A compreensão e o apoio dele a este afastamento fará grande diferença tanto para a estabilidade emocional da mãe quanto do bebê. Por isso é sempre importante que casal (quando juntos) converse sobre o assunto, a real necessidade do afastamento e as estratégias para isso.

Assinatura_RenataPalombo

 

Deixe um comentário

* Campos obrigatórios. Seu endereço de email não será publicado.