Parto normal libera substâncias necessárias à formação do bebê

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Com 52% dos partos feitos por cesarianas, embora o índice recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) seja de até 15%, o Brasil é o país campeão desse tipo de procedimento em todo o mundo. Na rede privada, o índice sobe para 83%, chegando a mais de 90% em algumas maternidades. A intervenção deixou de ser um recurso para salvar vidas e passou, na prática, a ser regra adotada por critérios de conforto.

Caso recente chamou a atenção em abril, quando Adelir Lemos de Goes, de 29 anos e mãe de Torres (RS), foi obrigada por liminar da Justiça a ter seu bebê por cesárea. Ainda que quisesse o parto normal, ela foi levada à força ao hospital já em trabalho de parto, provocando debates sobre até onde a mãe tem o poder de decisão sobre o próprio parto.

Para o obstetra José Ulisses Ribeiro, a cesariana, embora seja um avanço da tecnologia médica, é também um processo que oferece comodidade para o médico e para a mãe, pois permite a programação do nascimento e o parto em cerca de duas horas. O especialista revela, porém, que mesmo com todos esses pontos positivos, as mães ainda devem preferir o parto normal, por ser mais saudável para a gestante e para o bebê, que usufrui de seus benefícios.

Para o médico, é a forma fisiológica normal, pois tudo que é da natureza é perfeito e, se é fisiológico, é o que deve ser feito. “Há pesquisas que mostram que se deixarmos uma mulher ter um filho ao acaso, a criança nasce em 92% dos casos sem nenhum problema. Outro ponto é que a recuperação é muito mais rápida. Sendo assim, o parto normal tem vários benefícios e a repercussão primeira disso é que a mãe se sente em condições de cuidar do bebê, tendo um contato com ele muito maior, pois após o parto não sente mais dor nenhuma. Já na cesariana, a mãe geralmente não consegue pegar o recém-nascido porque sente desconforto ou dores”, revela.

Os benefícios do parto normal, no entanto, não param por aí. Segundo o especialista, as mulheres que optam pela cesariana acabam tendo mais chances de contrair infecções, já que permanecem por mais tempo no hospital para se recuperar. “O trabalho de parto, quando for natural, é uma condição que libera substâncias para o bebê. O corticoide, por exemplo, é liberado para a mãe e para o bebê. Ou seja, a criança recebe uma série de substâncias durante o trabalho de parto que atuam na existência de imaturidades na formação fetal, acelerando o processo e preparando o bebê. Durante o parto, a liberação de ossitocina, ou hormônio do amor, a cada contração é muito grande. E há trabalhos que mostram que a afinidade e a tolerância da mulher que faz parto natural é maior do que a que faz cesariana”, completa o obstetra José Ulisses Ribeiro.

Dados do Ministério da Saúde indicam que a cesariana representa graves riscos de mortalidade para mãe e bebê. A parturiente que escolhe dar à luz por cesariana tem risco de vida seis vezes maior em relação àquela que opta pelo parto normal. A cesárea aumenta as chances de a mãe contrair infecção ou ter hemorragia e quadruplica os riscos de o bebê ir para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Por parto normal, as chances de a criança ser internada são de 3%, contra 12% do nascimento cirúrgico.

Fonte: JM Online

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