Violência pediátrica: saiba o que pode acontecer com seu bebê

138033_1669Se uma mulher em trabalho de parto é alvo de violência obstétrica (1 a cada 4), vejo muitos bebês sendo vítima de violência na sua recepção. Bebês não podem falar, nem exigirem seus direitos. E esses direitos estão atrelado a verdades bastante questionáveis.

Há uma visão por parte de muitos pediatras de que o Parto Normal pode ser violento para o bebê. Mas se submeter a uma cesárea é não respeitar o tempo do bebê e isso sim é muita violência. Afinal é só quando o pulmão está maduro é que começa o início do trabalho de parto. 12% dos bebês nascidos por cesariana sem trabalho de parto vão parar na UTI. Esse número cai para 3% nos nascimentos por parto normal. O bebê só termina sua maturação com a passagem no canal vaginal. O processo, os hormônios e a passagem fazem com que o bebê tenha um amadurecimento neurológico também.

A criança respira melhor: quando passa pelo canal da vagina, o tórax do bebê é comprimido, assim como o resto do seu corpo. Isso garante que o líquido amniótico de dentro dos seus pulmões seja expelido pela boca, facilitando o primeiro suspiro da criança na hora em que nasce. O hormônio cortisol produzido pelo organismo infantil deixa os pulmões preparados para trabalhar a todo vapor. A cesárea, por sua vez, aumenta o risco de ocorrer o que os especialistas chamam de desconforto respiratório. Esse problema pode levar a quadros de insuficiência respiratória e até favorecer a pneumonia.

Cesáreas durante o trabalho de parto podem acontecer. Mas a recepção de um bebê saudável pode e deveria ser suave.

Eu sempre digo: Não deixe ninguém separar seu bebê de você. Essa escolha está fundamentada em revisões sistemáticas da literatura médica que colocam o contato pele a pele precoce entre mãe e filho logo após o nascimento como nível 1 de evidência científica, com grau A de recomendação. Isso significa que a ciência comprova e recomenda que a prática seja adotada. Imediatamente após o nascimento o bebê saudável deve ficar em contato com a pele da mãe. Não é contato pano a pano. O objetivo é o contato físico mesmo que deve ser contínuo e prolongado por no mínimo uma hora.

A lista de benefícios da adoção dessa prática como protocolo médico é enorme e passa por aspectos imunológicos, nutricionais e psicossociais comprovados cientificamente. Os benefícios são:

– Melhor interação entre mãe e bebê

– Acalma a criança

– Auxilia no controle dos batimentos cardíacos

– Reduz o estresse e o choro do recém-nascido. Chorando menos, a criança consome menos glicose e tem menos chance de ter hipoglicemia

– Melhora o aquecimento do bebê e evita a hipotermia

No momento desse contato pele a pele, a criança é colononizada com as bactérias da flora materna. Levar para um berçário, por exemplo, significa que a primeira colonização desse bebê será com bactérias hospitalares. Além disso, as bactérias maternas contribuem também para um estímulo imunológico mais adequado.

A interação mãe e bebê também influencia na amamentação. Crianças que tiveram contato pele a pele precocemente com a mãe têm desempenho melhor na hora de amamentar.

A exceção do contato pele a pele fica para os bebês de alto risco como prematuros extremos, crianças que não conseguem respirar ou que nasceram com parada cardíaca. Apenas 10% dos nascidos vivos vão precisar de ajuda nos primeiros minutos de vida.

Vale lembrar que as crianças, logo ao nascerem estão super despertas: como se o livro se abrisse para as primeiras impressões. Essa chegada pode ser feita de

Como você gostaria de nascer? Como gostaria de ser recebido?

Era um mundo silencioso. Já reconheço a voz doce da minha mãe, a grave voz do meu pai e algumas pessoas que sempre estão por perto. Aqui o mundo é constante. Não sinto frio, ou fome. Desconheço a sede, o ritmo, a gravidade.
Os ruídos são constantes: o pulsar das veias, as batidas do coração, o ruidoso estômago. Já sabem que posso detectar a luz ou ausência total dela.

Sinto medo, tenho pesadelos, tenho soluço. Gosto da sensação de quando minha mãe come chocolate.
Aproximo-me da nona lua. Estou pronto para nascer. Não sei o que significa isso, mas minha natureza deu o início do trabalho de parto. Aqui estava ficando apertado.

Talvez o braço da minha mãe seja igualmente confortável. Recebo um abraço leve, outro um pouco mais apertado. Em meu corpo posso sentir os hormônios de êxtase. Entro no ritmo da vida em uma dança minha e dela. É gostoso sentir essa massagem no meu corpo, este braço apertado que me aperta com força em despedida me lançando ao mundo. Esse estreito lugar comprime meu peito, lança o líquido dos meus pulmões para fora.

Aqui fora tudo é estranho. Que frio! Mas este corpo quente me aquece. Ouço sua voz. É ela. Nos conhecemos finalmente. Ainda somos um. Eu ligado a ela pelo cordão que me nutriu. O ritmo continua natural. O cordão pulsa e quando cessa me desligo sem desgrudar.
É estranho respirar, difícil. Cofff, atchim. O ar entra amigo. Estou seguro, estou sobre ela. Que cheiro bom ela tem. E seu coração ainda posso ouvir ao longe. Isso me dá paz.

Estou com fome. Que delícia este peito! Cheiro, lambo, mamo. Aqui fora é bom. Suave. Não sinto frio porque tenho seu corpo. Nem medo porque ouço sua voz. Foi uma longa jornada e por fim estou no mundo, ainda absolutamente dependente de ti.
Quero dormir porque confio no mundo externo e suave que você me proporcionou.
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Era um mundo silencioso. Já reconheço a voz doce da minha mãe, a grave voz do meu pai e algumas pessoas que sempre estão por perto. Aqui o mundo é constante. Não sinto frio, ou fome. Desconheço a sede, o ritmo, a gravidade.
Os ruídos são constantes: o pulsar das veias, as batidas do coração, o ruidoso estômago. Já sabem que posso detectar a luz ou ausência total dela.

Sinto medo, tenho pesadelos, tenho soluço. Gosto da sensação de quando minha mãe come chocolate.
Ouço barulhos estranhos. Ela está com medo. O que isso que sinto? Estou ficando sonolento. Sinto uma queda. Estou do lado de fora. Como cheguei aqui? Vejo luzes que me cegam. Onde está o coração? O calor? Aqui dentro está frio, muito frio. Desliguem este vento.
Estou afogando. Meu Deus?! Choro com força. Me salvem! Mãe, cadê você? Não sei falar sua língua. Estou com medo! Pelo menos um ambiente quente. Mas é duro. Por que ferem minha pele esfregando este pano?

Sinto um cano a me violar as narinas. O que fiz para merecer tanta dor? Este cano dentro de mim. Cadê minha mãe? Chego bem perto mas me levampara longe. Quero minha mãe! Por favor!

Esta balança fria o que é? Por que estão a me medir? Eu só quero um colo e peito. Choro sem parar. Estou exausto. Sei que me olham através do vidro. Pai! Vó! Me tirem daqui! Por que ninguém me ouve?

O que vão pingar nos meus olhos? Nitrato de prata? Mas eu nasci por cima. Como posso ter uma cegueira causada por gonorréia? Ela não tem gonorréia! Isso arde, arde muito. O que fiz para ser tratado assim? Choro com vigor. Estou em pânico.

Pelo menos um carinho na minha perna. Por que aperta? Ai que dor! Uma agulhada! Mais choro. É a vitamina K, medicação usada para prevenir um distúrbio de coagulação. Não te contaram que tem a versão oral? Não te falaram que é só não me banhar e deixar eu mamar? Eu não sei falar, mas de tudo sei. Tudo isso é dor. Será sempre assim?

Estou exausto. Vou dormir. Quem sabe acordo do pesadelo?

Espere, por que me acordam? Ah não! Por que tiram minha roupa? Estou com frio. O que é esse liquido? E essa espuma? Eu preciso da proteção da minha pele que retiram. Quem faz tudo isso? Cadê minha mãe? Será que ela é quem faz isso tudo?

Estou pronto para conhecê-la. Quem é ela mesmo? A pediatra? A enfermeira? Ela também não me reconhece. Não me abraçou com as entranhas, nem ao menos me viu nascer através dos panos. Tenho cheiro de sabão e ela de medicamentos.

Estou sonolento, sofri demais, recebi anestesia nas veias, colírio nos olhos, injeção na perna. Ela me mostra os seios. É difícil para mim, é difícil para ela que geme de dor também. Ela foi vítima como eu, da ignorância do sistema. Mas através dos seus seios, ainda há esperança.

Não vou nascer novamente, vou curar minhas feridas no mundo. Mas se eu pudesse escolher optaria pela primeira parte deste conto. Se você acha que não é verdade tamanho sofrimento lembre-se que 40% das crianças da rede pública nascem assim como eu. Passam o que passei. E no particular, quase 80%. Quero nascer diferente e só você que me gesta pode optar.

Não se deixe enganar. Não me deixe sofrer. Veja este vídeo. Assim aconteceu comigo.

O seu pode ser diferente. E eu, que ainda estou em você, posso chegar com doçura e gentileza. Pense nisso. Mude o meu plano de parto enquanto pode. E saiba o que realmente acontece para escolher uma realidade gentil. Nascer pode não mais rimar com sofrer. Pode ser sinônimo de sorrir.

Fonte: Vila Mamíferas

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