Parto domiciliar: Luciana e Lance

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Quero muito compartilhar com vocês minha experiência sobre o parto em casa. Eu estava com muito medo a princípio pois tinha recém me mudado para um país novo de língua hispana e não conhecia ninguém. Procurei na internet por informações sobre parto humanizado e foi quando encontrei a Mamasol, li e reli e orei muito sobre o parto. Meu esposo e eu decidimos mudar para Costa em busca de uma vida simples no campo como Deus nos pede Deus juntamente com nossos filhos Logan, de 8 anos e Larissa, de 6 anos e agora Lance 3 meses.

 

Ao entrar em contato com o grupo Mamasol me senti mais tranquila quando Marie (a enfermeira que faria meu parto), me explicou como tudo funciona e me acalmou. O meu nervosismo era grande e o meu medo era maior que minha fé!! Eu buscava diariamente continuar com minhas tarefas rotineiras de casa como cozinhar, ensinar as crianças, limpar e fazer atividades físicas mas percebi que ao caminhar minha barriga ficava muito dura e eu sentia algumas dores fortes e a barriga só relaxava novamente quando eu voltava a sentar.

 

Com 30 semanas de gestação senti dores muito fortes e a barriga mais dura do que o normal e nada fazia com a barriga voltasse ao estado normal. Dirigimos até o médico mais próximo, que era a uns 20 km de nossa casa. Ao chegar lá o médico me disse que eu estava com 8 centímetros de dilatação, fez uma ecografia e viu que o bebê já estava de cabeça pra baixo e pronto para nascer!!! Meu esposo Luciano e eu ficamos muito assustados e o médico me disse que deveria ir direto à emergência!!! Quando se necessita de uma emergência em um país subdesenvolvido e ainda por cima não sendo uma cidadã daquele país é mais complicado do que procurar o SUS no Brasil, acredite!!

 

Chegamos na emergência e fiquei ainda mais assustada ao ver os rostos sofridos e tristes em uma sala de espera gigante com doenças de todos os tipos!! As pessoas olhavam para nós como se fôssemos estranhos de um outro mundo e Luciano, Logan, Larissa e eu nos retiramos do hospital mais assustados do que quando chegamos! Eu não conseguia andar muito bem pois a dor era grande e a barriga seguia bem dura!! Eu estava em trabalho de parto! Caminhamos até nosso carro e oramos!! Oramos e choramos e pedimos para que Deus segurasse aquele bebezinho em meu ventre até a hora certa!!!

 

Uma pausa na história pra contar que quando descobri que o bebê seria um menino, Luciano e eu oramos todos os dias para que Deus colocasse o espírito de Daniel (da Bíblia) nesse bebê e sei que o inimigo feroz conosco e com esse bebê queria encontrar alguma forma de nos entristecer, Após orarmos pedindo para que Deus nos mostrasse o que fazer decidimos enviar email a vários amigos e grupo que participávamos pedindo oração, decidimos viajar até a capital do país que era a 2 horas de viajem e ir a um hospital particular pois só existia lá na capital mesmo. Nossa viajem foi de muito silêncio e angústia, para crianças de 6 e 7 anos ficarem quietas é porque a tensão era muito grande mesmo!! Telefonei para um ginecologista que eu tinha visto uma vez apenas, contei o ocorrido e graças a Deus, somente pelo telefone ele conseguiu com que eu fosse imediatamente levada a um quarto no hospital particular e assim que chegamos lá me checaram e colocaram vários aparelhos ao redor de minha barriga e adivinha? Tudo estava normal! Deus havia operado mais um milagre…a barriga voltara ao normal quando eu me deitava e já não havia mais dilatação alguma, louvado seja Deus!!

 

O medo continuava e eu precisei ficar pelo resto da gravidez num descanso forçado…somente assim eu consegui aprender que os 8 remédios naturais de Deus devem ser seguidos ao pé da letra (Nutrição, exercício, hidratação, luz solar, temperança, ar puro, descanso, confiança em Deus)….quando eu estava com 38 semanas conversei com minha parteira e decidi alugar uma casa perto da casa dela pra que eu me sentisse mais segura!

 

Eu queria muito ter um parto na água e estava super empolgada! Meus primeiros 2 partos haviam sido normal de 41 semanas mas no hospital sendo o primeiro parto com anestesia peridural, o segundo parto foi super natural sem nenhuma intervenção mas no hospital e achávamos que o terceiro bebê viria na semana 35 ou 36 portanto meu nervosismo era grande…até cheguei a pensar em ter o bebê no hospital mas eu já havia lido sobre os benefícios do parto em casa e temia que o bebê viesse antes da hora. Após já estar na casa perto da Marie, minha parteira, e mais tranquila, eu caminhava todos os dias mas parecia que o bebê, dessa vez  não queria vir, nada de contrações e a barriga continuava crescendo e o bebê se mexendo.

 

No dia 22 de dezembro às 5h30 da manhã minha bolsa rompeu, foi algo meio inesperado porque nos partos anteriores minha bolsa não havia rompido até a hora do bebê nascer, então eu não sabia como era a sensação mas vou te dizer: foi como se minha bexiga estivesse bem cheia e eu precisasse ir ao banheiro mas não desse tempo de sentar e a água explodiu, foi até legal! Depois disso precisei usar um absorvente pois o líquido aminiótico continuava saindo, era como uma água meio gelatinosa mas sem odor. Mandei uma mensagem para a parteira que perguntou se eu estava tendo contrações, mas nada de contrações e adivinha o que ela me disse? Ah, pode então ir tomar o desjejum, caminhar, pois algumas mulheres entram em trabalho de parto apenas 24 ou até 48 horas depois e ainda existem alguns casos de mulheres que já ficaram por mais de 3 dias sem entrar em trabalho de parto mas já haviam tido o rompimento da bolsa!!!!! Eu não podia acreditar! O que mais escuto e já havia presenciado com minha irmã quando minha sobrinha nasceu, era que a bolsa se rompe e a gestante deve ir correndo ao hospital! Foi isso o que aconteceu com minha irmã quando ela teve minha sobrinha e eu estava junto, me lembro de tudo como se fosse hoje, mas e agora? Eu fiz minha devoção pessoal, levantei e fui fazer o culto familiar com as crianças, fui tomar o desjejum, calma e não acreditando no que estava acontecendo!!! O dia foi passando e nada de contrações, até que as 9h00 da noite comecei a ter umas contrações que iam e viam e ao contar percebi que eram de cada 5 minutos, 3 minutos então pedi para meu esposo Luciano ligar para Marie….ela não demorou para chegar com seus equipamentos e se surpreendeu quando me viu cantando hinos e músicas das Escrituras. Meus filhos já estavam dormindo e a piscina de parto já estava pronta na sala. Enquanto conversávamos ela me disse que eu estava muito calma e controlada para estar em trabalho de parto, ela perguntou se poderia checar se eu havia dilatado e ao checar eu não tinha nem 1 centímetro de dilatação….ai que tristeza, eu estava tão certa que o bebê estava vindo….a ansiedade era grande, ela me disse pra ir dormir e foi embora! Eu tinha certeza que o bebê viria, orei muito pedindo a Deus que me ajudasse a esperar (Isaias 40:31), tentei dormir mas às 11 da noite levantei da cama com dores muito fortes de contração…fui ao banho e lá fiquei por mais de meia hora…pedi para meu esposo encher a piscina de parto e ligar para a parteira….as dores eram intensas…eu sentia a virilha se dilatando do lado esquerdo, a barriga contraía e ficava dura e as costas doíam um pouco….ao sair do banho entrei direto na piscina e a 00h15 a Marie chegou e dessa vez eu estava aos gritos, as dores foram de uma intensidade quase que insuportável, a parteira me ajudou com massagem nas costas mas quem fez todo o esforço foi eu e Deus. Meu esposo segurava minhas mãos pois eu escolhi que ele não entrasse na piscina comigo, a dor maior foi na parte de trás então a Marie me disse que talvez a dor fosse menor se eu mudasse de posição, então fiquei com o cotovelo na piscina e de joelho, eu conseguia sentir o bebê empurrando, e em cada contração forte eu sentia que ele ia se deslizando, minha vontade de fazer força era grande então a parteira me disse que eu poderia fazer se sentisse que realmente deveria, então na próxima contração fiz uma força com a barriga e senti como se um grande coágulo de sangue estivesse saindo, era a cabeça do bebê, me disse Marie…segundos depois senti outra contração forte e a vontade de fazer força e como se um fogo estivesse saindo de mim, que alívio, era o nosso bebê! Que alegria e a  00h55 o bebê nasceu e venho nadando pra mim :) Louvado seja Cristo!

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Acreditam que quando o bebê nasceu não havia uma gota de sangue na piscina…fiquei um pouco com ele ali e na mesma hora o levei ao peito para mamar e ele já mostrou que sabia o que estava fazendo como mostrou na foto eu e ele segundo após o parto. Meus filhos Logan de 8 anos e Larissa de 6 anos ficaram maravilhados ao ver o bebê. Após uns 10 minutos sai da água e fiquei na posição de cócoras em um acento próprio, esperando para a placenta vir e a Marie puxou levemente pra fora, não senti dor forte, somente como um coagulo de sangue de menstruação saindo. O bebê ficou com o cordão umbilical por cerca de meia hora após o nascimento, e a parteira explicou e mostrou a placenta para eles que ficaram curiosos estudando. Eu sentia a respiração do bebê um pouco carregada, como se os pulmões estivessem cheios de muco mas aprendi que era normal e realmente após alguns dias o bebê já estava respirando normalmente.

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A herança que tivemos de Eva de sentir dor na hora do parto temos que aceitar mas na hora que vemos a perfeição e o milagre que somente Deus pode fazer, esquecemos da dor! O que mais me chamou atenção foi adieta vegetariana. A Marie veio me ver após 3 dias e me disse que meu útero já havia voltado ao lugar normal e me disse que nunca havia visto isso em 3 dias pois geralmente leva-se uma semana ou mais. Eu expliquei a ela que durante 3 dias eu sentia uma vontade enorme de comer salada verde e orgânica, e foi isso o que comi por 3 dias, salada de rúcula, com alface e tomate temperadas com limão e sal marinho, que benção!

 

Obrigada pela chance de poder compartilhar um pouco desse milagre de vida com vocês :)

 

Por Luciana Riges

2 Comentários

  1. Evelin Vieira disse:

    Oi Luciana, mas que lindo e abençoado seu relato de parto! Deus sabe como fazer a nossa fé crescer, se o permitimos, não é? Parabéns pelo parto domiciliar, pelo Lance e pela linda e querida família! Que importante experiência para os irmãozinhos Longan e Larissa! Abraços, Evelin.

  2. Marily Reis disse:

    Que lindo, amiga! Que sonho! Eu estava curiosa pra ler seu relato. Orei por vcs qd vc teve que ficar de repouso, mas só agora soube do milagre em detalhes. Esse é o nosso Deus! Obrigada por compartilhar sua história. Como sempre, seu exemplo de fé e determinação me comoveu e inspirou. Deus abençoe sua linda família! Espero conhecer o Lance pessoalmente um dia. Pela foto já deu pra ver que é lido. Bjs.

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