Parto domiciliar: Magno, Carol e Benício

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Há alguns meses, minha esposa e eu discutíamos acerca de uma importante decisão a ser tomada em nosso lar. Essa decisão traria implicações sérias para nossa vida, pois afetaria todos nossos projetos e sonhos. Ao passo que seguíamos com nossas obrigações diárias, a pergunta não se calava em nossa mente: Vamos adquirir um gato ou um cachorro?

Após inúmeras discussões com sérias argumentações para ambos os lados, percebemos que estávamos tratando de um assunto que afetaria todo nosso futuro, e para isso nada melhor do que contatar o Senhor conhecedor do futuro. Colocamo-nos em oração pedindo a Jesus que nos orientasse, pois não queríamos tomar uma decisão precipitada. A velocidade da resposta foi quase tão surpreendente quanto a própria resposta. Deus escolheu uma terceira opção: um filho.

Deu-se então início a um processo de aprendizagem que a princípio imaginei ser apenas acerca de partos e educação de crianças, mas que ao término provou ser muito mais profundo.

Em Sua infinita misericórdia tivemos exatas 39 semanas e 6 dias para uma preparação de corpo e mente para o que estava por vir. Livros e mais livros, matérias e mais matérias, vídeos no YouTube, noites difíceis de dormir por conta de dores nas costas, dores nas pernas. Tudo graças a um peso extra que, mesmo que não estivesse em mim, me fazia sacrificar, como fazia a minha esposa. Afinal, eu até acordei algumas dessas noites com ela. Não seria isso o suficiente para partilhar do sacrifício de ser mãe? 
No dia 24 de junho de 2015 o embrulho então começou a se abrir quando às 02h00 eu acordei com a frase: “Má, a bolsa rompeu”. Fui tomado por uma rápida sensação de euforia e adrenalina despertando em meus pensamentos todos os sonhos construídos no decorrer desses 9 meses de preparo. Pensei no meu lindo filhinho dando seus primeiros passos em minha direção com os bracinhos abertos e dizendo: “paaapai”.
Logo fui interrompido por um tom de voz conhecido. Um gemer de dor que me causou estranheza. A dor das contrações iniciais despertaram em mim alguns questionamentos como: “Ok, como eu participo disso?”. Ao ver a minha jóia mais preciosa se contorcer de dor, ao ver naqueles olhos o desespero do que estava por vir, ao ver toda aquela equipe maravilhosa trabalhando em favor de nós dois para que em breve nos tornássemos três, eu me questionava: “Tá, como é que eu participo disso?”. Jesus começou a desembrulhar o presente e me revelar o que de fato é a graça. Não é algo barato. Não é algo que você recebe por merecer.
Tivemos 33 horas de trabalho de parto, sendo desses 24 horas de trabalho de parto ativo. Reconheço toda segurança emocional que recai sobre o marido e vivi na pele o importante papel que o marido deve desempenhar em um parto domiciliar. Mas nunca se comparará ao trabalho que as guerreiras mães desempenham. À medida que eu via o esforço de minha esposa para receber a dor para que houvesse ali uma nova vida, eu enxergava Jesus dando-me a graça através do sofrimento que não recaiu sobre mim.

O presente foi então completamente aberto às 10h58 do dia 25 de junho, pesando 3,150 Kg e 50 cm de comprimento. Lá estava ele, o resultado de um esforço que fora feito fora de mim. Um presente que recebi com muito carinho e gratidão a Jesus e à minha amada esposa, que escolheu se submeter ao poder e às forças de Deus para presentear toda nossa família. No vídeo a seguir, minha esposa e eu compartilhamos com você um pouquinho da grande alegria que Deus graciosamente nos concedeu:

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