Parto Domiciliar: Marine e Ayumi

Marine_AyumiA dor do parto nunca foi medo pra mim. Sempre acreditei na fisiologia e no meu controle emocional em relação a situações que envolvem o meu corpo. De certo, a única coisa que não sabia era a intensidade desta dor, tão temida por muitas mulheres, mas ao mesmo tempo uma cesárea nunca passou pela minha cabeça.

Ao decidirmos ficar grávidos eu realizei vários exames para ter certeza que meu corpo estava pronto para receber uma nova vida. Assim feito, tudo certinho comigo, começamos a trabalhar pesado…rs
Minha menstruação então atrasou por cinco dias, e eu naquela ansiedade louca de saber se de fato estava grávida, chamei logo minha irmã e fomos ao pronto atendimento do hospital realizar o exame de sangue. Para nossa surpresa, minha menstruação veio ali mesmo no consultório do médico de plantão. Muita tristeza, mas com a certeza de que uma hora teria uma vida crescendo dentro de mim.
Um mês depois minha menstruação tornou a atrasar, e eu para não ficar triste não acreditei no que estava acontecendo. Minha TPM estava nas alturas neste momento, foi quando em uma das minhas sessões de terapia contei a minha psicóloga que estava com a menstruação atrasada fazia dez dias e que estava com os nervos a flor da pele. Orientada por ela resolvi fazer na manhã seguinte o teste de farmácia. Meu marido me ajudou a fazê-lo e ao olharmos a tarja colorida de rosa… Ai meu Deus… Estávamos grávidos. Olhávamos um para o outro sem acreditar, num misto de alegria e surpresa. E fomos trabalhar. Não agüentei chegar ao trabalho sem fazer uma ligação para minha mãe e contar tudo que estava acontecendo, por coincidência minha irmã estava junto com ela e então festejamos a alegria.

Mais tarde um pouco liguei para minha sogra avisando e foi choro pra todo lado de tanta alegria.
Depois deste momento marquei ginecologista obstetra, fiz exame de sangue que confirmou a gravidez e também meu primeiro ultrassom constatando uma nova vida de 7 semanas e 3 dias. Mais alegria ainda.
A gravidez foi mansa, cheia de expectativas, cuidados e muita busca de informação. Troquei de obstetra com 19 semanas, orientada por um grupo de mães que de fato tornou tudo mais tranqüilo e fácil quanto ao pré-natal e ao parto domiciliar que desejávamos. O Maternati foi peça chave no sucesso do nascimento da nossa bebê. Gratidão por toda vida.

Após 38 semanas de gravidez, eu já de licença maternidade, percebi que o dia 27 de janeiro não estava comum aos anteriores de gestação. Tudo que resolvi fazer neste dia tava dando errado e as contrações que sentia na barriga lá de vez em nunca estavam vindo sem dor mais com uma freqüência de hora em hora. Já que nada tava saindo como queria, resolvi tomar um banho e descansar um pouco, só que ao cocorar no banheiro para fazer minha higiene percebi que algo diferente estava acontecendo e resolvi dá aquela espiadinha lá em baixo com um espelhinho. Assim fiz e de fato tinha algo diferente, mais sei lá… Dei aquela cochiladinha de fim de tarde e quando meu marido chegou do trabalhou comentei com ele que eu estava diferente e até brincamos:
-Pra quem ligar primeiro?
-Parteiras, doulas, mães…rsrsrs

Após a brincadeira, meu marido foi tomar banho, ao sair do banheiro, pedi para que ele desse uma olhadinha “lá em baixo” pra ver se estava tudo certinho…rs e então não resistimos um ao outro…Sem detalhes tá bom? Somente um detalhe, a minha bolsa estourou no auge do processo…rsrs

Isso era umas 20:00 horas. Começamos a rir, ao mesmo tempo que o líquido escorria. Começava ali a fase latente do trabalho de parto. Ligamos para as enfermeiras obstetras que logo estavam em casa fazendo a primeira avaliação. Foram embora e eu e meu marido fomos jantar e dormir um pouquinho até que as contrações viessem ritmadas e com força total.
Por volta das 2 horas da manhã as enfermeiras retornaram a nossa casa para desta vez acompanhar todo o parto. A fase ativa do trabalho de parto iniciou por volta das 03:30 horas do dia 28 de janeiro. Neste momento as contrações começavam de fato dar o ar da graça…rsrs. Doía, doía até que bastante. Minhas posições já começavam a ser diferentes. As vezes de pé, as vezes cocorada, as vezes na bola.
Foi realizado monitoramento cardíaco fetal intermitente, sem qualquer alteração. E com as contrações mais intensas resolvemos ligar para a doula e para minha sogra que acompanhariam o parto. Quando ambas chegaram as dores já eram intensas, não conseguia mais sorrir quando elas vinham.
As dores intensas apareciam na mesma velocidade que o dia nascia. Quando percebi que o dia estava com um sol e que a madrugada toda já havia passado e nada de sentir o tal círculo de fogo, começou a bater certo desespero e cansaço. Era muita dor, sentida com intensidade e expectativa na vinda de Ayumi.
Meu Deus eu não agüentava mais, eu juro. Já quase meio dia e nada de Ayumi aparecer. Foi quando as enfermeiras resolveram chamar mais um reforço, uma terceira enfermeira. Aí percebi que o plano B (ir para o hospital), poderia estar perto e ainda mais desespero me afrontou. Eu fazia força mais que o normal a cada contração e nada.
1654118_869222046429987_1693298780_nVocalizei chamando por Ayumi, cocorei, andei de quatro, segurei no tecido, rebolei na bola, fiz tudo e nada de Ayumi coroar. O reforço chegou e por mais duas horas nada do tal círculo de fogo. Chorei decepcionada com muito medo de não conseguir, foi quando ao ir para o banheiro pela milésima vez e cocorar sendo suportada pelo meu marido a minha doula avistou a cabeça de Ayumi. Voltei para o quarto e comecei a cocorar seguidamente a cada contração sendo amparada por doula, enfermeiras, marido e sogra. Em um dos intervalos das contrações pediram pra que eu sentisse a cabeça de Ayumi, mas o cansaço e as contrações eram tão intensas que não conseguia levar a mão até ela. Resolvemos então diminuir o intervalo entre as contrações com ocitocina nasal. Foi quando de repente Ayumi já podia ser sentida por mim no meio das minhas pernas. Eu não tinha mais forças, foi quando consegui passar a mão na cabecinha dela e uma contração com uma dor tão intensa veio, senti o abençoado círculo de fogo me rasgando, trazendo a nossa princesinha para este mundão aqui de fora. Foram mais duas ou três contrações destas, não sei ao certo porque nesta hora eu estava em outro mundo, conectada a ela de uma maneira simplesmente inexplicável. Ela então numa das minhas forças nasceu, emocionando a todos, já com os olhinhos abertos, chorou, espirrou fez cocô e olhou pra mim fixamente procurando pelo peito que logo encontrou e mamou.
O trabalho de parto transcorreu de forma natural, sem intervenções, sendo administrado uma ampola de ocitocina após o parto.
O nascimento da Ayumi, ocorreu às 14:25 horas do dia 28 de janeiro, com um período expulsivo longo, todavia sendo monitorado. Não teve necessidade de episiotomia, apresentando uma laceração de 1º grau, necessitando de sutura.

1620382_869221616430030_985151175_nA dequitação placentária ocorreu 20 minutos após o nascimento, sendo feita revisão da mesma, sem anormalidades. Só um detalhe, meu marido plantou a placenta em um lindo vaso com um Manacá da Serra e decoramos a entrada da nossa casa.
Ayumi foi cuidada e colocada nos meus braços para o um longo período de amamentação e fizemos um brinde à vida.
Foi incrível, e agradeço além da equipe que me deu todo o suporte técnico e emocional, a Deus, a minha família pelo apoio, a minha sogra que todo o tempo estava por perto e ao meu marido, por confiar em mim e por me encorajar em todo período em que Ayumi viveu dentro de mim. Parto domiciliar foi tudo que sonhei um dia. Sonho realizado.

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