Parto normal em casa de parto: Aileen e Serena

RelatoParto_Serena

2 de Março de 2015 descobri (diríamos: do nada!) que estava grávida de 6 semanas!
Através da minha mãe e da minha cunhada obtive conhecimento e informações sobre parto humanizado, slings, disciplina positiva, fraldas de pano, amamentação e tantas coisas que nem sonhava que existia…

Durante a gravidez fui para Brasília algumas vezes onde frequentei rodas de gestantes e rodas de doulas. Nesses locais pude trocar informações, emoções e histórias que me fortaleceram nas decisões que vinha tomando ao longo da gestação.
Foi lá onde descobri a Casa de Parto São Sebastião! Local destinado a partos naturais e humanizados. Logo me apeguei a ideia de parir lá, só havia um problema.. Faziam 3 meses que a Casa de Parto tinha sido regionalizada, ou seja, só se eu morasse naquela região da cidade eu poderia usufruir do serviço. Então comecei a pesquisar sobre outros locais onde um parto respeitoso e com direito a acompanhante fosse possível.

Dia 6 de Outubro com 36 + 6 semanas eu e meu barrigão saímos de Maringá e estávamos a bordo de um avião rumo a Brasília, onde seria o palco dos próximos acontecimentos… Meu marido Leandro só poderia ir pra Brasilia após dia 28 porque ele iria apresentar o TCC nessa data.

Muita ansiedade no ar, será que ela nasceria antes do pai chegar? Quem iria me acompanhar? queria um parto humanizado, mas não tinha doula, não tinha médico, não tinha local certo para parir, com quase 37 semanas e tinha que achar um médico ou hospital que atendesse pelo meu plano de saúde. Precisava de opções! Mas não encontrava um bendito que atendesse pelo meu plano! Estava tenso…

Mas mal sabia eu o que me esperava!
Deus já tinha feito um plano pra nós mesmo que não enxergássemos soluções!

Cheguei em Brasília e corri pra roda de gestante do HUB e qual foi minha surpresa ao descobrir que havia uma semana a Casa de Parto São Sebastião havia aberto as portas para gestantes que faziam pré-natal no HUB! Corri pra abrir um prontuário e marcar uma consulta pra semana seguinte!

(aqui vem outra história que não cabe aqui sobre como esse prontuário e essa única consulta me fizeram apta a parir na Casa de Parto…)

Parindo…

16 de outubro as 22:30 hrs começou um leve sangramento rosinha, durante essa semana senti quase imperceptíveis ‘cólicas menstruais’, dia 19 meu intestino descarregou o excesso, dia 20 fiquei sem fome e quase não comi, dia 21 as 2:30 da manha tive minha primeira contração! Fiquei meio assustada, meio incrédula, não esperava que ela nascesse antes de completar 39 semanas, mas a dor estava ali, estava acontecendo! Tive 3 contrações de 15 em 15 min de dor média (diríamos assim) então as 3 horas da manhã começou contrações de 3 em 3 minutos que durou o trabalho de parto quase inteiro. A partir daí só conseguia ficar de pé ou andando (a dor foi piorando a cada contração)
Não acordei nem avisei ninguém, as 5 da manhã minha mãe percebeu o movimento na casa e começou a se arrumar e arrumar as ‘traia’ (bolsa maternidade, roupas pra trocar, toalhas, comidas, chá de canela com gengibre, chinelo, almofadas, caixinha de som pra música relaxante (super recomendo!), bebe conforto…)
As 7 horas avisei o Leandro que estava indo parir! (a história dele é outtrraa história)..  Nesse hora já estava gemendo de dor um ‘pouco’ alto e andar de carro nessa situação não é legal!
Cheguei as 8 hrs na Casa de Parto com 5 pra 6 cm de dilatação a partir daí eu esqueci quase tudo… Mas vamos tentar contar o que eu lembro!

Tomei um banho quente que baixou minha pressão… saí meio mole, deixa pra lá essa água.. Sentei no “cavalinho’ (não sabe o que é pesquisa no Google) pra mim só não foi pior do que estar deitada durante as contrações! (o que é uma tortura, e quando digo tortura pode lembrar daquelas torturas da Idade média porque é assim mesmo!), a única posição que eu conseguia suportar a dor era em pé inclinada um pouco pra frente (segurando na parede ou espremendo as mãos da minha mãe, (é ótimo apertar alguém, mas dá dó .. na hora estava com mais dó de mim mesma! Rsrs). Mamãe foi praticamente minha doula! Ela fazia massagens, tirava fotos e postava no grupo do wats.. kkk deixava eu apertar loucamente os braços e até o pescoço dela foi vítima das minhas contrações rsrs
Cheguei um pouco desesperada de dor, não conseguia manter a calma na respiração (fundamental) Então a enfermeira falava pra eu respirar assim: Cheira flor e assopra vela (acho que a coisa mais difícil que já fiz na minha vida foi respirar assim durante a contração, custou cada grão de força de vontade, cada pedaço do meu cérebro e do meu corpo estavam concentrados em respirar com calma!) A minha cunhada que é doula ligou pra mim numa hora dessas e disse mais ou menos: amiga deixa a contração vir, não lute contra ela! Ela é amiga e está trazendo sua bebê pra você! Esse foi o momento que me entreguei pra partolândia, depois de umas horas sentava no vaso sanitário me encostava na caixa d’água e conseguia até cochilar entre as contrações, ouvia a música relaxante com sons da natureza que tinha levado e consegui suportar aquela fase!

Até que uma notícia me tirou daquele estado de transe…
Devido a uma cicatriz que tenho de uma fistulectomia anal havia um risco muito grande de acontecer uma laceração ali e ela acompanhar a cicatriz até o ânus de forma que se isso acontecesse eu teria que ser transferida imediatamente para um hospital próximo e um proctologista teria que operar o estrago…

 

Seria necessário uma episiotomia ou que eu fosse transferida na mesma hora para um hospital (isso já estava na metade do processo de parir).

No meio daquele mundo de dor entrou um desespero (preferia cesárea do que episitomia! Pensava: porque esse negócio entrou agora tem q sair!, Preciso sair daqui preciso de uma anestesia socorro!! )
Essa situação acabou fazendo com que o trabalho de parto fosse mais demorado por conta do meu psicológico que ficou um pouco perturbado e apreensivo. Foram mais de 1 hr com contrações de puxo.

 

Me explicaram o procedimento: o corte seria feito quando o bebê estivesse coroando e eu teria que estar de barriga pra cima (nada confortável como já comentei) logo feito o corte eu teria que me posicionar de 4 apoios para que o peso da gravidade puxasse para o lado oposto da cicatriz.

 

Então deitei na cama e essa bebê não descia… e a dor me matava …até que depois de uns 40 min minha mãe abençoada me tirou de lá e me fez ficar de cócoras apoiada numa barra na parede (que era a posição que eu gostaria de parir) nessa hora eu estava me descontrolando nos gritos rsrs acho que em 4 contrações nessa posição eu pus a mão e senti a cabecinha da Serena avisei as Enfermeiras e corri pra cama, quando deitei senti ela voltando (foi um processo…)
(Essa menina não vai nascer! Socorro! O que é que eu faço?!). A bolsa não tinha estourado e começou a nascer, então a enfermeira perguntou se podia romper, ( eu respondi: não sei o que isso quer dizer! elas explicaram rapidamente e eu concordei! )

12295449_1001045649938415_8006611688377415869_nEntão com 38+6 semanas, depois de 11 horas de TP aconteceu! de 4 apoios, com episiotomia, com laceração, minha Serena nasceu devagarinho em 2 contrações, com cordão enrroladinho no pescoço apertadinho, toda roxinha e quentinha, com as bochecas vermelhinhas! Ficou quase uma hora grudadinha em mim enquanto o processo de nascer placenta e ser costurada acontecia, ainda senti contrações, estava exausta, mas minha filha estava ali mamando lindamente nos meus braços! Não foi fácil, não foi simples, meu mundo era pura dor, meus músculos travaram até precisei de ajuda pra conseguir deitar do lado da Serena na cama, mas finalmente estava acabando!

A recuperação da episio e da laceração e do parto em si foi terrível nas 2 primeiras semanas! Achei que não ia sarar nunca, que nunca mais ia conseguir me sentar sem dor que nunca ia esquecer toda aquela dor, todo aquele trauma… Minha surpresa agora em 1 mês já esqueci quase tudo! Kkk Deus faz tudo perfeito!

Amamentação: foi tudo lindo! No 3 dia tive uns coágulos no bico do peito mas no outro dia sarou e foi só!

Sensações do Parto: 
Contrações: Você se desliga do mundo, só existe uma coisa: DOR, e entre a dor existe nada, só uma espera pra próxima dor!
Contrações de puxo: você engoliu uma sementinha de melancia.. agora ela está saindo… rsrs (rindo agora né porque na hora não é nada engraçado)
Expulsivo: agora a melancia está abrindo seus ossos e músculos lá embaixo
Parto: UFA! Você sente uma chacoalhada em todos seus órgãos internos, o alívio é imediato, então você acorda pro mundo real! Tem um trocinho roxo na sua frente balançando os bracinhos e de olho em tudo! Uma barriga acabou de se transformar em um bebê… como mágica!

Todo esse processo foi patrocinado por Deus, por mim e pelo Leandro Peres, pela minha mãe Dilza Holland, minha cunhada Tainara Andrade, pelo Grupo de Gestantes do HUB e pela Silvéria, pelas enfermeiras que me acompanharam na Casa de Parto e pela administração da Casa de Parto que permitiu que meu parto acontecesse naquele local, com respeito e humanizado!

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