Parto normal hospitalar: Pâmela e Davi

10150109_601442446599956_1254295854_nPara contar do parto do Davi preciso falar um pouco do nascimento da Lara.

Nunca na vida a cesárea foi uma opção. Não sei explicar, mas sempre quis um parto normal, pra mim fazia parte do ser mãe, de gestar e parir, era natural isso para mim. Quando engravidei da Lara uma das primeiras coisas que fiz foi ir atrás de informações que me levassem até um médico que topasse acompanhar um parto normal.

Acabei entrando num grupo de discussão no Yahoo sobre parto natural e um mundo se abriu na minha frente. Aprendi e descobri coisas que eu jamais poderia imaginar. Ciente da situação dos nascimentos no Brasil comecei minha busca frenética por um atendimento decente e seguro. Resolvemos tentar um parto domiciliar. Tudo foi as mil maravilhas na gestação, nada nos dizia que seria diferente, eu estava super confiante, não tinha medo de nada, estava segura. Mas a Lara adiantou e, além disso, intercorrências nos obrigaram a ir para um hospital e inevitavelmente a cesárea aconteceu. Foram tantos sentimentos que fica difícil descrever, mas o maior naquele exato momento foi de perder uma guerra, me senti vazia e diminuída em todos os sentidos, uma tristeza profunda, não por não estar conseguindo o que eu pretendia, mas por estar sendo atropelada pelo sistema, sem ter como lutar com ele. Depois que ela nasceu, ao eu entrar no quarto, meu sentimento era de roubo, fui roubada, em todos os sentidos. Roubaram meus direitos, minha liberdade, minha barriga e minha filha… Tiraram tudo, me deixaram vazia, em todos os sentidos! Muito duro lidar com esses sentimentos num momento que deveria ser só de alegrias! Poxa, minha primeira filha, era a minha tão sonhada menina, aquela que a gente sonha desde que a gente é menina e fantasia ser mãe sabe?! Aquele momento que deveria ser extremamente especial foi mecânico e frio. Estava arrasada. Depois disso veio a dor física insuportável, misturado com medo daquela situação fragilizada. Os remédios só ajudavam se eu ficasse imóvel. Fui tudo muito difícil por pelo menos 25 dias… Era frustrante não poder cuidar da Lara, das coisas dela, da casa, ficar lá dependendo de alguém era algo terrível.

Depois do nascimento dela eu mergulhei de cabeça no assunto “parto”, virou ponto de honra para eu defender esse direito e muito mais, defender o direito a verdade, a liberdade de escolha, a assistência digna e de qualidade. Simplesmente não dava para fechar os olhos para o que eu tinha vivido e para o que milhares de mulheres vivem diariamente nesse Brasil. Essa “militância” por assim dizer, me ajudou a elaborar e digerir minha experiência me tornou mais forte, mais equilibrada, mais tolerante e sem dúvida uma nova pessoa. Gerar e me tornar mãe me transformou completamente!

Posso dizer que minha preparação para uma nova gestação e parto começou logo após o nascimento da Lara. Leituras, grupos de discussões, consultas médicas – várias, procura por profissionais decentes… Realmente é uma saga conseguir um bom atendimento para parto normal no nosso país, ou sorte! Como eu não confio muito em sorte, no meu caso foi uma saga mesmo.

Gestação do Davi

Assim que soube que estava grávida novamente fui atrás daquilo que já havia descoberto nas minhas buscas sobre profissionais. Eu já tinha alguma ideia do que faria. Já sabia que não poderia arcar com um profissional recomendado, já sabia também que um novo parto domiciliar não era a primeira opção. Preciso aqui abrir um parênteses para explicar isso. Com as intercorrências no nascimento da Lara eu e o Wil ficamos balançados com relação a um novo parto domiciliar, não por segurança ou coisa assim, porque realmente acredito na segurança do mesmo, mas porque ao precisar ir para o hospital ficamos descompensados, perdidos e eu acredito que isso minou nossa confiança, tinha medo de passar por isso de novo, queria estar segura do início ao fim, e senti que se eu soubesse que o parto iria “começar” e acabar no mesmo lugar, sem ter que pensar numa possível transferência poderia acontecer, ficaria mais tranquila para me entregar de verdade ao processo, por isso a primeira opção era o hospital. Deixamos para bater o martelo no fim da gestação ou quando entrasse em trabalho de parto. Sendo assim eu tinha poucas opções. Resolvemos ficar com um médico de convênio que aceitava uma parteira na equipe, assim ela nos ajudaria em casa com o início do TP e também no hospital, chegando com TP adiantado as chances do médico querer abreviar a coisa e do hospital interferir muito eram menores.

Durante a gestação, nas conversas com a parteira, ela deixou claras as limitações que um hospital traz, as limitações do médico escolhido, assim como o que de bom ela já tinha experimentado trabalhando com ele. Sabíamos exatamente onde estávamos pisando e apesar de saber que havia chances de tudo dar errado eu  preferi acreditar que podia dar muito certo e que eu deveria era ficar muito atenta e pronta para pular fora. Afinal era o que tinha para o momento e apesar de sentir muitas vezes as pessoas colocando que era uma má escolha e que podia me esforçar mais para obter outra equipe, eu sei bem que era aquilo que eu podia ter e nada mais.

As consultas com o médico foram sempre muito tranquilas e ele sempre interessado em saber que tipo de parto eu queria, o porquê eu não tinha conseguido um PN na primeira gestação, quais foram as intercorrências, chegou a comentar que havia outras saídas para tentar o PN no caso do nascimento da Lara, fez até uma cara de “tsc tsc” para o desfecho que o médico deu para nascimento dela. Quando entramos nas consultas semanais eu já esperava que fosse pedir o exame de toque. Fiquei surpresa dele nunca tocar no assunto. Confesso que me surpreendi no final das contas, esperava um médico intervencionista no consultório e pelo menos nas consultas isso foi zero. Já estava confiando mais. E a cada noite, cada momento que eu parava para pensar no parto eu conversava com Deus, pedia benções, entregava, conversava muito com Ele…

Lá por volta das 30 e tantas semanas eu fui ficando com muito medo de tudo dar errado, sabe quando bate uma insegurança?! Fui lembrando do nascimento da Lara como tudo foi por água abaixo de uma hora para outra e simplesmente não podia passar por tudo aquilo de novo. Desabafei essas inseguranças num grupo e isso me fez um bem danado. Quando tirei as caraminholas da cabeça foi bem mais fácil lidar com elas e me sentir melhor. Algumas semanas depois rolou um vídeo no Face de um clip feito por umas páginas de piadas sobre parto em homenagens as “leoas” (mulheres que foram contra o sistema e pariram) com a música Roar da Katy Perry. De início não dei bola, mas depois de um comentário sobre a letra resolvi assistir. Poxa, morri de chorar, e assistia uma vez depois da outra, e era impressionante como aquela música foi me enchendo por dentro, me trazendo uma força, era uma mistura de alívio com coragem, sim eu podia, sim eu ia conseguir, sim eu ia rir na cara do sistema, sim eu ia sorrir para quem desacreditou de mim, sim ia dar certo! Assistia ao vídeo todos os dias e o choro era automático, e ainda é agora quando escrevo! Penso que o clip terminou de fazer o trabalho de confiança ou de “empoderamento” que tinha começado na gravidez da Lara! Decidi sair de alguns grupos de parto normal que eu fazia parte, e que de certa forma estavam a um tempo já me incomodando e tudo que eu lia fazia eu me sentir pressionada ou como se meu caminho fosse ao precipício, não estavam me fazendo bem, saí! Eu estava pronta para aceitar tudo o que tivesse que acontecer, para enfrentar o que fosse! Estava pronta para parir!

Parto

Dia 23/02 foi o chá de fraldas do Davi. Eu estava apreensiva porque estava de 36 + 6 semanas de gestação e sempre achei que o menino me trolaria assim como a Lara fez, adiantando. Então estava levando em consideração o dia do chá e o carnaval, se não nascesse no carnaval daí eu sabia que ia chegar à DPP. O chá foi tranquilo, subimos para casa já era mais de 21hs. Sentamos para ver os presentes e eu estava morta de fome, não havia comido quase nada naquele dia. Lembro-me da Lara estar sentada no sofá e eu ir até ela dar um chamego, ela levantou pulou no colo para um abraço apertado e disse “humm, carinho de mamãe, que gostoso, eu te amo mamãe”, respondi que amava muito ela e gostava muito de sentir os bracinhos dela me abraçando e apertando, senti uma felicidade imensa! Ela foi e fez uma gracinha na barriga para o Davi. Sentei do lado dela e o Wil no outro sofá, senti uma coisa tão boa e disse para ele que amava nossa família e que não tinha jeito, era aquilo ali que a gente deveria valorizar na vida, nós 4, que amava muito eles, fui para o lado dele, ela também e ficamos os 3 juntinhos um tempo.

Como estava com muita fome, pedi para ele me preparar um lanche, um copo de refrigerante de laranja (ô vontade que deu), comi um monte, bebi um monte e ainda terminando o lanche sinto algo saindo de mim, exatamente como quando a gente menstrua sabe?! Fui ao banheiro e pensei ser só aquela umidade normal da gestação, que às vezes fica meio exagerada. Voltei, sentei no sofá e senti mais uma vez. Virei pro Wil e disse “meu amigo, algo parece que está acontecendo por aqui”, dali mais uns minutos mais outra e outra vez. Definitivamente já tinha sentido aquilo, estava “vazando”. Levantei e fui confirmar a coisa. A única reação do Wil foi rir! Ligamos para a parteira e avisamos. Combinamos de ela vir aqui em casa pela manhã bem cedo, ela tinha acabado de chegar de um plantão e como eu não sentia nada (mais uma vez) achamos melhor ela descansar e vir pela manhã. Caso eu sentisse qualquer coisa ligaria para ela e veríamos a melhor hora de ir para o hospital, já que o dia seguinte era uma segunda-feira e ainda pela manhã teria trânsito bem ruim. Ela pediu que eu descansasse e dormisse, mas como? Eu estava elétrica, todo o cansaço do dia, da semana tinha passado e eu ainda tinha uma sombra para espantar, o das coisas por fazer! Havia muita coisa por fazer no quarto das crianças, só o básico estava arrumado, mais uma vez as roupas estavam lavadas, mas não passadas. As lembrancinhas ainda não estavam embaladas (de novo), minhas coisas não estavam lavadas (de novo também). Tentava organizar as ideias para organizar o que fazer, mas não conseguia… Ia fazendo o que aparecia pela frente. Liguei para minha mãe e pedi que voltasse para casa para ficar com a Lara, e comecei a fazer as coisas. Fui arrumando o quarto, guardando algumas coisas, tirando bagunça do caminho, meio espírito de Dita sabe?! Em meio a isso às vezes saía bastante água e eu corria para o banheiro dando risada, porque na real ainda estava caindo à ficha, não que ele ia nascer, mas que a bolsa havia rompido de novo, na mesma época, eu estava boquiaberta da coisa se repetir!

Mais um parênteses, a coisa se repetia, a bolsa havia estourado fora do trabalho de parto, com praticamente o mesmo tempo gestacional da Lara (que foi com 37, o dele foi 1 dia antes), em meio a todos os pensamentos veio o receio de não entrar em TP, mas logo lembrei que pra isso eu estava bem preparada, sabia como agir, que escolhas fazer. Só uma coisa estava diferente, e que era de extrema importância, eu mesma diante da situação. Eu aceitei e até fiquei muito feliz daquilo estar acontecendo, dele estar chegando, mentalmente disse pra ele “vem meu querido, que quero te conhecer finalmente”!

Entrei na net e fui no Face falar com uma amiga, pedir boas vibrações, torcida, oração… Também fiz isso num pequeno grupo que participo. Tinha vontade de entrar em todos e anunciar aquilo e pedir torcida, força e etc, mas no fim preferi manter aquilo do jeito que estava, não sei explicar porque, achei que tinha que ser assim!

Fui colocar minhas coisas para lavar e fui separar as roupinhas do Davi para levar para a maternidade.

Parênteses: na gravidez o parto domiciliar ficou em segundo plano. Nós tinhamos o pé atrás com algumas coisas, mas sabíamos que a melhor chance de um parto lindo e perfeito era em casa, principalmente com relação ao atendimento do Davi, queríamos o mais natural e respeitoso possível, e no hospital eu tinha consciência que até dava para barganhar algumas coisas e já estava preparada para lutar bastante por outras. Portanto, resolvemos que só decidiríamos de verdade onde seria o parto quando entrasse em TP e dependendo de como tudo transcorresse. Quando percebi que a bolsa havia rompido já sabia que seria hospitalar. Novamente era um bebê pré-termo/limítrofe, no USG daquela semana (na 4ª feira) vimos que era um bebê pequeno (apontou 35 semanas, eu estava de 36 + 3) e que o peso aproximado era 2,400kg, portanto abaixo do mínimo. Isso já era o suficiente para nós. Era um bebê pequeno e definitivamente não queríamos ir para o hospital depois de um PD por conta de detalhes assim. Resolvido, parto hospitalar!

Escolhi cada uma das roupinhas dele e comecei a passar. Minha mãe chegou sem acreditar no que estava acontecendo, assumiu a passadeira e eu fui terminar de arrumar o quarto, minhas coisas e etc… Ela e o Wil pediam que eu fosse dormir, mas fazia como? Tinha certas coisas que precisavam ser arrumadas.

Não sei dizer bem em que momento, mas as dorezinhas chegaram e eu fiquei imensamente feliz com aquilo! Acredito que tenha sido umas 2 ou 3 horas depois da bolsa romper. Não marquei e não lembro a hora, deixei acontecer… Fui tomar banho e lá o tampão saiu. EBAAA enfim conhecia o famoso tampão, é estava tudo acontecendo mesmo! No chuveiro percebi certo ritmo nas contrações e comecei a contar, duravam 30 segundos, com intervalos de sei lá, uns 6 min. Com esses intervalos eu acreditei piamente que eram pródromos, porque as contrações começavam com intervalos maiores, e pensei que ainda tinha muito chão pela frente, que elas estavam ainda descompassadas, que iam aumentar o intervalo ainda e depois ritmar direito. Sai do banho, sentei-me à mesa para embalar as lembrancinhas e pedi pro Wil cronometrar as contrações, tinha aberto um site que faz isso e ele foi “marcando”. Já estava clareando, umas 6 da manhã e naquele momento elas estavam durando 30 segundos com intervalos em média de um 6 minutos. Toda vez que vinha uma eu me levantava e me curvava para frente, lembrando de uma parte do livro Parto Ativo que dizia que as posições em pé, curvada para frente ajudavam ao útero não se sobrecarregar e que auxiliava a própria contração. Percebi que era bem confortável assim. Respirava fundo. Em alguns minutos já duravam 40/45seg, o s intervalos continuavam iguais. Ali naquele momento senti uma apertada nas dores. Mas ainda estava achando que era pródromos, que não tinha engrenado nada e que aquele intervalo ainda ia mudar. Não liguei para a parteira porque a hora combinada dela ir para lá casa, se eu não ligasse antes, estava próxima, então achei que não fazia diferença, ledo engano (depois entenderão).

A parteira chegou por volta das 7 da manhã e foi me examinar. Constatou que eu estava em trabalho de parto já (não sei quantas contrações em 10 min), fez um exame de toque, eu estava com 4 cm de dilatação o que me deixou super feliz! Com 4 e com aquelas contraçõezinhas! Estava tudo de bom! Conversamos e percebemos que sair aquela hora era ficar preso no trânsito, pensamos então que saindo 1 hora depois, por volta das 8 pegaríamos bem menos trânsito e daria no mesmo, com a diferença de não ficar muito tempo no carro. Assim fizemos. Nesse curto espaço de tempo as contrações aumentaram muito. Cada vez que vinha uma ia para o quarto e respirava fundo, me curvava. Elas estavam próximas e bem mais doloridas. Resolvemos nos apressar para sair. O Wil começou a ajeitar as coisas para levar para o carro, a esta altura a Lara já tinha acordado, já tínhamos contado que o Davi estava chegando, que ela ia ficar com a vovó e que mais tarde o conheceria. Lembro-me dela ir atrás de mim no quarto durante uma contração e de ver uma carinha de preocupação, expliquei pra ela que estava bem e que doía para o Davi nascer, mas que era assim mesmo. Alguém a chamou na sala para distraí-la e deu certo.

Enfim saímos, eu já não falava direito nas contrações, cheguei ao carro com uma contração começando, a parteira pediu que eu evitasse sentar, e que se fizesse fosse sobre as pernas para não ter um edema de colo de útero. Eu só conseguia pensar no que havia lido no livro do Parto Ativo explicando o mecanismo de abertura dos ossos do quadril e cóccix e de como era prejudicial ficar na posição sentada ou deitada por fechar a passagem. Então fui de quatro no banco traseiro, às vezes me apoiando no encosto. Só uma coisa para dizer sobre estar num carro durante o trabalho de parto: PÉSSIMO!

Para meu azar as dores aumentaram muito no percurso e eu lembrei que havia lido que vocalizar e até gritar ajudavam a lidar com a dor e tal, comecei a fazer isso. O Wil foi ficando bem desesperado, tentando correr e eu pensava em várias coisas para dizer pra ele e não conseguia dizer nada. Era impressionante como pra mim parecia que as contrações estavam próximas, mal dava para respirar aliviada de uma e vinha outra. Para meu azar novamente o Wil perdeu a saída certa e teve que dar uma volta a mais para chegar ao hospital. E parece impressionante, quando a gente está numa situação dessas aparece gente lerda e parada na frente do carro do além né?! Eu só queria sair do carro. A essa altura eu já gritava muito nas contrações (acho que isso deixou o marido desesperado de verdade). Finalmente chegamos. Desci rapidinho do carro com uma contração vindo, a parteira já estava lá esperando pela gente e eu já pedindo pelo amor de Deus. Ele teve que ir estacionar o carro e pegar a bagagem e graças a Deus que a parteira estava lá para ficar comigo. Veio uma cadeira de rodas e entrei rapidinho para a admissão. Acho que ela tentou abreviar essa parte, porque me lembro dela contando que eu já estava com muita dor, para fazer o cardiotoco rápido. Deitei na maca e mal deu tempo das enfermeiras ligarem o aparelho veio uma contração gigante e eu pulei da cama gritando, tiveram compaixão de mim e autorizaram minha subida para o pré-parto. No meio escuto delas que não tinha delivery disponível, quase chorei ali, queria muito a banheira, era a promessa de alívio. Entrei na salinha do pré-parto, contração atrás de contração e sentei no vaso, ( é… um buraco no meio realmente era mais confortável do que outras posições). Apareceu uma enfermeira se apresentando e perguntou se eu queria o chuveiro, acenei que sim e enquanto ela ligava e temperava a água eu me pendurei na porta toalha, lembrei-me do rebozo (será que é esse o nome daquele pano que a gente se pendura?), ou sei lá o nome, um pano para a gestante se pendurar, segura com as mãos e deixa o corpo cair. Realmente aquilo era bom, parece que soltava a pelve e a dor era amenizada. Entrei no chuveiro e posso dizer que a água quente é reconfortante. Minha parteira apareceu paramentada já e disse que ia procurar uma bola. Apareceu com uma gigante, não conseguia sentar nela, e as tentativas que fiz não foram boas, não me senti bem, desisti! Daí a parteira sumiu de novo e me volta com a linda notícia que tinha conseguido uma delivery! EEEEEEEEE

Primeira coisa: enche logo essa banheira!

Sentei na banqueta de parto, que coisa boa! Uma vontade de fazer xixi enorme (pode isso?). Fui pro vaso e lá fiquei, o Wil finalmente chega e coitado, ele estava meio perdido ainda. A essa altura a dor era tanta que nem conseguia pensar direito, era tudo sim ou não com a cabeça, eu estava monossilábica na fala e nos pensamentos também, já não pensava. Tentei me concentrar e pensava “menos uma, menos uma”, mas era difícil. Entrei na banheira e fiquei frustrada, não era tudo aquilo que diziam. A água quente realmente era boa, mas não diminuiu em nada a minha dor, ela vinha intensa e de uma vez, sem dó nem piedade, nada de onda não, só paulada. Além do que a água quente na banheira era “inerte” sem me movimentar não parecia que ela era tão quente e acolhedora e me movimentar aumentava a dor, dava frio, o chuveiro estava melhor, mas eu já não conseguia pedir por ele.

Depois de entrar na banheira as dores aumentaram muito e o intervalo diminuiu também, não sei dizer o quanto, às vezes vinha duas contrações em sequência, sentia uma indo embora e outra começando logo em seguida, era de enlouquecer, nem dava para respirar… Nesse meio vieram colocar antibiótico por conta da bolsa rota, e pra ficar parada? AFE! Ok, ainda bem que não precisei sair da banheira, porque fora realmente era pior do que dentro.

Fui me esgotando. Respirava pela boca (tenho renite e meu nariz vive tampado, meio que desaprendi a respirar por ele), e estava enjoada já, muito, de estômago vazio (não conseguia comer, não sentia vontade), nem água eu queria tomar, foi tudo se misturando e se juntando e a cada vez que dizia que não ia dar o marido e a parteira me incentivavam, davam palavras de força, me lembravam de que eu não queria anestesia, do que poderia acontecer se eu tomasse e eu tentava mais uma contração…

Num momento, tentando novas posições na água, fiquei de quatro novamente e a parteira disse que eu estava de 6 pra 7 (ou era de 7 pra 8)cm de dilatação já (olhou pela linha púrpura), me senti um pouco mais encorajada e tentei mais uma, que foi tenso! Não sei dizer se foi tão forte que deixou rastros, mas senti dor entre ela e a seguinte. Comecei a notar que minha fala ficava meio travada, como se minha boca paralisasse, minha mão direita também travou algumas vezes, ficando envergada durante as contrações. Em uma em especial senti todo meu quadril e pernas como que contraindo, presos, era involuntário, eu não estava fazendo aquilo com certeza. Cheguei ao meu limite, NAQUELE momento eu não via outro caminho a não ser a analgesia, eu não conseguia ver como lidar com as dores, eu havia tentado as posições, recebido massagem, encorajamento, tentado bola, agachar, banqueta, chuveiro, o que mais eu poderia tentar? Eu acho que tentei tudo. Chamei a parteira e disse que sabia das consequências, mas que não dava mais, queria anestesia! Acredito que deste momento até o anestesista efetivamente chegar ela deu uma enrolada básica pra ver se eu conseguia ir lidando. Antes de sair da banheira um exame de toque e acho que estava com 8 cm. Lembro-me de nem sequer levar isso em consideração, só conseguia pensar na última contração… Só a ideia de que em minutos aquilo ia acabar parece que me trouxe um pouco mais de força e consegui controlar melhor as 2 contrações seguintes.

Sentei na cama e procurei não pensar na anestesia, que eu morro de medo. Ali veio mais uma, o anestesista esperou e avisou que se ele estivesse aplicando e uma viesse para eu não me mexer em hipótese alguma. Ai céus, tinha certeza que teria uma ali. Dito e feito, a parteira ficou comigo, o Wil também (não entendo porque não permitem os maridos no CC neste momento, tão reconfortante alguém seu perto de você), veio uma e apertei demais a mão dela, esmaguei mesmo, coitada! Em coisa de segundos comecei a sentir um formigamento na perna foi-se a dor!

Pensa num alívio? Eu consegui respirar de novo, meus pensamentos voltaram, meu corpo relaxou… Me senti gente de novo. Deitei e dormi. Quase que 2 horas, não um sono profundo, mas descansei!

Médico foi fazer uma cesárea, parteira foi almoçar, e o marido foi respirar e trocar de roupa, porque estava todo molhado… A calmaria reinou. Eu notava o monitoramento da parteira enquanto descansava, o médico chegando querendo fazer um toque para ver como as coisas estavam e a parteira meio como leão de chácara “deixa ela descansar, pode ir lá – não sei aonde – tá tudo tranquilo aqui”. Acho que em algum momento colocaram ocitocina, eu sem sentir nada.

Parênteses: a anestesia foi duplo bloqueio, fiquei impressionada em como eu estava sem dor, mas sentia minhas pernas, sentia o toque das pessoas na barriga, nas pernas, nos pés, conseguia levantar minhas pernas até certa altura, não estava inválida.

Em algum momento o médico voltou, fez um toque e pronto estava com dilatação total! Nossa fiquei meio sem ação, sabe quando você não espera por uma notícia? Uau, bora colocar esse menino no mundo! Mas eu estava sem contração, nenhuminha… Aumentaram a ocitocina, veio uma leve (que eu nem senti, mas a parteira sim, tocando minha barriga) fiz força e parecia que estava indo bem. Ela me avisou que a anestesia já estava passando e como eu estava no expulsivo eles não aplicariam mais (beleza, isso mesmo que eu queria), fui sentindo o formigamento diminuir aos poucos e desaparecer, mas não sentia dor. A parteira me perguntava se eu sentia o toque dela e eu dizia que sim, e avisei que só sentia uma dor no pé da barriga, bem no local da cicatriz, mas uma dor como de cólica, mediana. Aumentaram mais a ocitocina porque não vinha nenhuma contração. Quando vinha uma eu fazia força. O médico falou que o Davi tinha parado, perguntei se estava tudo bem e estava, mas que ele tinha parado de girar, disseram que como não tinha contração efetiva, não tinha mecânica para ajudar o bebê a fazer esse giro. Continuamos esperando as contrações para fazer força, fazia quando vinha e nada mudava. Em algum momento o topo da cabeça começou a ser visto, a parteira chamou o Wil para ver. A ausculta do coração era feita de tempos em tempos e num dado momento a parteira me avisou que ele iria fazer fórceps por conta dos batimentos não tranquilizadores do Davi. Fiquei MUITO apreensiva, pedi para ela pedir para ele me deixar tentar mais um pouco e ela disse que não tinha contração para empurrar, que a gente tentaria enquanto o campo não ficasse pronto. Eu comecei a pedir a Deus em pensamento para mandar contração, para ele nascer antes dele intervir de qualquer forma… Tudo o que eu não queria era um parto cheio de intervenções. O médico então pediu para preparar o campo e daí dei uma gelada, aquele clima mais suave, foi-se indo, luz local, campo estéril e a bandeja de instrumentos foi me deixando apreensiva, mas sabia que aquelas eram medidas preventivas mesmo. A parteira também me avisou que ele faria uma episiotomia por conta do fórceps (parênteses: sei que é possível o fórceps sem episiotomia, mas estava ciente das limitações do médico escolhido, e ele não fazia fórceps sem espisiotomia). A parteira ainda tentou algum convencimento, vi ela comentando com ele alguma coisa, falando de como meu períneo estava molinho (acredito eu que ela estava tentando convence-lo a tentar sem episio, já que sabíamos que o bebê era pequeno e meu períneo favorável), mas não deu em nada infelizmente. Colocaram oxigênio para mim e me pediam para respirar fundo, para ir oxigênio para o bebê. A pressão que eu já sentia foi aumentando, senti a cabeça passando e a sensação foi quase como de uma rolha saindo, em seguida o corpinho escorregando. Comecei a chorar e a rir e pedi por ele, colocaram ele no meu colo, tão quentinho o corpinho, tão melecadinho, tão molinho… Essa sensação é única!!! A Lara veio para perto de mim embrulhada, depois de todos os procedimentos invasivos possíveis, só vi seu rosto, não a senti. O Davi veio ainda quente, do jeito que saiu de mim, é algo maravilhoso isso, inexplicável! Ele chorava um choro regular, bem molinho, ficou uns minutos com a gente, deu para olhá-lo, beijar, abraçar, tirar foto… E daí pediram ele, chamei pela pediatra e pedi para não pingar colírio, ela aceitou e veio falar comigo me explicar riscos e tal, expliquei meu ponto pra ela e disse que podia preparar o termo de risco que assinávamos. Assim foi feito. Não foi aspirado. Pedi para que o banho fosse no quarto e não no berçário central e fui atendida. Vieram com ele novamente e ela disse que ele estava com desconforto respiratório e por isso não poderia mamar ali e que deveria ir para o berçário para observação. Fiquei triste, mas fazer o quê?! Lá se foi o meu menino! Fiquei ali com a companhia do marido, da parteira e sendo suturada da episiotomia.

Tudo finalizado o médico veio conversar com a gente, se despedir, dizer como seriam as próximas horas e tal. Ele foi embora e ficou a parteira com a gente. Conversamos sobre as intervenções. Explicou que o fórceps foi necessário porque ele teve braquicardia sem recuperação, e como ele estava no canal vaginal já o fórceps era a melhor escolha. Comentou que ainda que era a limitação dele, como ele trabalhava. Comentou que foi uma episio pequena (esqueci de perguntar quantos pontos) e que ele não havia cortado músculo, que foi quase como uma laceração “superficial” (nem sei se isso é possível). Me sentia super bem, só não podia levantar da cama por algumas horas. Bebê no berçário e eu na recuperação, 1 hora pelo menos (nem sei por que, a anestesia já tinha passado totalmente). Cheguei e acabei dormindo um pouco. Fiquei mais de uma hora, mas não chegou às 2h. Fui para o quarto e o Davi veio um pouco depois, meu pequeno, pequeno mesmo.

Que delícia poder estar sentada para segurar meu pequeno, namorá-lo, beijar, cheirar, sem qualquer impedimento! Logo fui colocando ele no peito, ele demorou um pouco a pegar, não conseguia sugar (parecia que o peito escapava da boca), mas ele conseguiu e mamou bem e forte. E ali ficamos eu e o Wil! Ele ainda sem o banho, com aquele cheirinho limpo, de barriga, difícil descrever!

A noite tomei banho e me senti mais gente ainda (acho que não pude tomar banha mais cedo por conta das intervenções). Morri de medo de tocar na episio, muita aflição. Já podia andar e fazer o que quisesse. Não sentia dor, mas um peso na parte de baixo, parecia que estava carregando pedras. Fiquei meio medrosa no começo, mas assim que fui avisada que era normal, que era por causa da passagem do bebê e não da episio me senti mais segura. No dia seguinte senti um pouco de incômodo, sentava de ladinho, ou com cuidado, deitava só do lado oposto da episio (sentia pressão se deitasse do lado dela), mas foi sossegado. Tomando medicação tudo ficava em paz. No segundo dia já estava melhor ainda! Os pontos não infeccionaram, não teve edema, não tinha inchaço, tudo certinho! 3 vezes por dia vinham me trazer gelo para compressa fria e fiz tudo direitinho para não ter problemas.

Davi passou por exames porque eu tive bolsa rota e não tinha o exame do strepto B, o primeiro deu positivo e por isso não tivemos alta no 2º dia, refizeram o exame para ter certeza, pois ele estava bem e não queriam administrar ATB a toa nele. Refeito o exame deu negativo, tudo certinho. Também ficou no teste de glicose por 24hs porque foi baixo peso, um bebê PIG (pequeno para idade gestacional), mas tudo ficou bem, eu tive muito colostro.

Quando a Lara o conheceu dava para ver o brilho nos olhos dela, um encantamento com aquela coisa pequena. Desde então ela demonstra muito carinho e amor por ele. Quer sempre ajudar e pegá-lo no colo.

Davi nasceu no dia 24/02/14, as 14h04 com 2,455kg e 47 cm, apgar 9/10 (realmente ele estava bem) e 37 semanas exatas (capurro? esqueci de perguntar)

Minhas considerações:

Meu parto não foi como eu desejei, liso, natural, mas foi o que tinha que ser, o que deu para ser e fico feliz de estar feliz com ele. Durante a gestação gastei muita energia pensando e mentalizando que nada precisa ser perfeito, apesar da gente sempre poder e buscar a perfeição. Aceitar o que se recebe ajuda a ser feliz, e era isso que eu queria também, uma experiência com final feliz!

Se tivesse conseguido segurar a onda das contrações muito provavelmente não teria tido qualquer intervenção. Todas as coisas que aconteceram que precisaram de intervenção são possíveis coisas previstas que podem acontecer após analgesia, a distócia de rotação, a braquicardia… são coisas que os estudos mostram que podem ocorrer num parto com analgesia. E só isso é que às vezes me deixa um pouco chateada (nem chego a ficar triste), mas eu tenho consciência que no momento em que as coisas aconteceram era o que eu precisava, de alívio. Talvez a única coisa a ser feita teria sido mudar de posição, tentar outras coisas antes das intervenções, mas também não sei se isso não foi feito por conta dos batimentos…

Não deveria ter deixado para ir para o hospital mais tarde. Fiquei com a impressão de que se estivesse no hospital antes das contrações apertarem talvez tivesse me controlado melhor, me concentrado mais, conseguido me concentrar… Já cheguei num pico de dor, meio descompensada e não conseguia encontrar um jeito, uma maneira de lidar com a dor, uma posição mais confortável, e como ela evoluiu rápido, não me deu tempo de me ajustar a situação, me senti jogada no meio do turbilhão sem tempo de pensar ou fazer qualquer coisa, bem diferente da maioria dos relatos que eu já havia lido. Fui lidando com o que acontecia até não dar mais conta. Mas também, depois de refletir direito, lembrando que consegui me controlar bem na hora da anestesia, bem numa contração, que seria possível seguir sem ela, mas na hora isso nem aparecia como possibilidade. Isso dá raiva, a razão vai embora e só depois a gente enxerga certas coisas…

Faria tudo de novo, sentiria tudo de novo, e ainda tentaria tudo sem anestesia de novo! E faria um hospitalar de novo! Não sei o que faria com a dor que senti se eu estivesse em casa… Muitas pessoas dizem que quando a gente sabe que tem uma saída, que pode contar com um recurso que o limite diminui, mas eu não sei não… Não lidei só com dor… Só não deixaria para ir tão em cima para o hospital.

Fui muito respeitada a meu ver. Me surpreendi com o meu médico. Me surpreendi com a neonato e a equipe de pediatria que respeitou meus pedidos, todos eles. Davi não teve colírio, não foi aspirado (nem lembrei de pedir isso), pedi para não tomar o primeiro banho no berçário e sim no quarto comigo e fui atendida sem questionamentos, me foi dada a liberdade de escolher vacinar ou não lá. Não lembrei de pedir para esperarem o cordão parar de pulsar para cortá-lo, mas talvez isso não tenha sido de todo mau, porque ele teve icterícia, até um pouco alta, não o suficiente para precisar de fototerapia, e a parteira explicou que se tivesse esperado parar de pulsar ele com certeza faria foto (pela maior quantidade de sangue que ele receberia) e só quem já teve um bebê nestas condições sabe o quão difícil é (por mais simples e sem risco que seja o tratamento), ainda mais para um bebê de baixo peso (já perde peso normalmente, na foto soa e baixa ainda mais o peso. Tem que ficar o maior tempo possível na luz, mas também precisa mamar, bebê recém nascido demora mamar e entra num circulo vicioso sem fim…).

Episio é um saco e é minha única chateação verdadeira dessa experiência! Os médicos precisam mesmo aprender a trabalhar sem ela! Tomara que cicatrize logo e não deixe resquícios para eu lidar com ela no futuro! Sim sou muito medrosa com cortes, pontos e cia. Não tenho medo de uma dor fisiológica, mas qualquer dois pontos me abala…

Agradecimentos

À Deus, sem Ele nada sou, a Ele tudo devo!

Ao Wil, marido paciente e bom, que aguentou ser arranhado e até mordido, que tentou segurar minha onda como eu havia pedido e que sempre está ao meu lado! Obrigada amor da minha vida, obrigada pelos dois presentes mais preciosos que você poderia colaborar com Deus para me dar! Sou muito realizada com nossa família!

À Ivanilde, parteira amiga que ha 4 anos conheci e que aceitou fazer esse caminho comigo. Por sua sinceridade, amizade, cuidado… Você foi papel importante nessa conquista!

Aos grupos do Face, por existirem, pelos profissionais que dispõem de seu tempo para tirar dúvidas, ajudar, incentivar… Por essa rede de apoio que existe e que é importante sim, mesmo com os exageros de algumas partes, o fundamental, o necessário da ajuda e apoio existe ali e faz diferença!

As amigas virtuais! As “nossas”, muito obrigada pela torcida e pelo apoio, pelas palavras de incentivo, pelos cutucões, pela companhia na jornada! Vocês são importantes nesta conquista e em muitos aprendizados que tive ao longo deste tempo que nos conhecemos! Tantas diversidades de vida, de costume, de jeitos, de opiniões agregaram muito na minha vida! Obrigada do fundo do meu coração!

Ale Matos você tá daí acompanhando minha trajetória desde a gestação da Lara, me escuta, palpita, ajuda… Não tem como se esquecer de ti amiga! Obrigada por sempre estar disposta a me ouvir, a dar uma opinião, uma ajuda! É tão bom ver Deus colocando pessoas como você na vida da gente!

É…. eu estou rindo mesmo, quer coisa melhor de ver as enfermeiras te confundirem com cesárea e ouvir “é tanta cesárea que a gente até esquece que existe parto normal!”, “ué não tem pontos? ah foi normal” (procurando na barriga), “ah foi por isso que você conseguiu dar banho no dia seguinte” (enfermeira ao constatar que foi normal). E o melhor de tudo é euzinha serelepe por aí desde o nascimento! E viva o parto normal!!

Yes we can!!!!

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